A nascente da poesia: Coletivo Terra Firme coloca a cena Hip Hop em contato com elementos da natureza em projeto de educação agroecológica

O calor da comunidade, a força da transmutação e o fogo são o grafite. O DJ? É a fonte da vida, a terra de onde nasce um pouco de tudo. A água é representada pela fluidez da dança e do movimento do break, e o rap é o ar que respira, viaja e fala. Esses são os elementos do Hip Hop em meio à vastidão verde do Coletivo Terra Firme, localizado na Regional Barreiro e Ibirité, na grande BH, e que agora conta com recursos da Associação Nossa Cidade.

O projeto já existe há 13 anos e surgiu com a seguinte proposta: conectar os elementos da cultura Hip Hop à educação ambiental e à cultura popular. O objetivo é formar mais que artistas da cena urbana, mas, também, multiplicadores para atuar em escolas e comunidades, mantendo viva a chama e a força política da cultura. 

A formação dos agentes começou na casa de Denise Regina Dias Paiva, ou melhor, Denise Malika, coordenadora geral do Coletivo. Assistente social, educadora, produtora cultural e fotógrafa, Malika sedia parte do seu próprio espaço em prol do coletivo. Agora, após anos de dedicação na construção de um novo ambiente, a Escola Agroecológica Coletivo Terra Livre conta com uma sede localizada na Morada da Serra, em Ibirité. Ali, atuam voluntários e um pequeno grupo de bolsistas da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), todos empenhados em partilhar, colher e ampliar conhecimentos sobre a natureza e a música das batalhas urbanas que se espalham pela cidade e por todo Brasil. 

Quando ainda não contava com financiamentos, o projeto se fortaleceu a partir de recursos próprios dos integrantes, em um movimento de guerrilha. Segundo Malika, foi a crença na força da comunidade e nos ideais do projeto que fez com que todos se esforçassem para a estruturação da iniciativa. 

A escola foi construída em um terreno arborizado, com acesso a uma nascente e proximidade a espécies nativas. Foi daí que partiu o insight para a formação cultural de unir e perceber como esses elementos da natureza se associam com o Hip Hop. Além deles, o desenrolar do projeto passou a incorporar um quinto elemento essencial para a proposta: o conhecimento, que agora é compartilhado.

Dentre as ações promovidas pela Escola, estão inclusas a realização de encontros online e presenciais, o registro fotográfico das atividades, a realização de cyphers - como são chamadas as reuniões de diferentes MC's - e a produção de podcasts. Para o apoio em todas essas atividades, agora o Coletivo conta com recursos da Nossa Cidade, que também acredita que a comunidade, a cultura urbana e a valorização da natureza que nos cerca são essenciais para a prosperidade coletiva.