Dados sobre desigualdade territorial, acessibilidade, filantropia e infâncias mostram por que os desafios da Grande BH precisam ser enfrentados de maneira coletiva.
O que as mudanças climáticas têm a ver com a participação das crianças nas decisões públicas? Como a filantropia comunitária pode fortalecer a diversidade? E de que maneira pessoas e organizações podem construir soluções para desafios que parecem tão diferentes?
Essas perguntas ajudam a compreender a proposta do Nossa Cidade Conecta 2026, que acontece nos dias 13 e 14 de novembro, na PUC Minas, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.
Com o tema “Unidos para mover futuros”, o encontro busca aproximar pessoas, organizações da sociedade civil, coletivos e iniciativas comunitárias comprometidas com o desenvolvimento da Grande Belo Horizonte.
A programação se organiza em quatro eixos temáticos: Mudanças Climáticas e Justiça Territorial; Participação, Diversidade e Comunidades; Filantropia Comunitária e Fortalecimento Institucional; e Infâncias e Futuros.
Embora cada eixo tenha suas particularidades, os dados mostram que seus desafios estão profundamente relacionados.
Mudanças Climáticas e Justiça Territorial: os riscos não são iguais para todos
As mudanças climáticas afetam as cidades de diferentes maneiras. Chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e ondas de calor representam desafios crescentes para o planejamento urbano e a proteção das comunidades.
Entretanto, os impactos desses fenômenos não são distribuídos igualmente.
Segundo levantamento do MapBiomas, aproximadamente 19,2% das áreas de favelas e comunidades urbanas analisadas no Brasil estavam situadas em áreas de risco, considerando os dados de 2023.
O percentual evidencia a relação entre vulnerabilidade territorial, ocupação urbana e exposição a desastres.
Na realidade da Grande Belo Horizonte, a discussão também se relaciona às condições de moradia, à infraestrutura urbana e à capacidade de prevenção e resposta das comunidades.
Falar em justiça territorial, portanto, significa reconhecer que enfrentar as mudanças climáticas exige considerar as desigualdades sociais e a participação das populações diretamente afetadas.
No Conecta 2026, esse debate estará presente na abertura de 13 de novembro, com reflexões sobre emergências climáticas e justiça territorial na Grande BH, além do lançamento do Fundo Clima.
Mais do que compreender os riscos, o desafio é construir respostas que valorizem o conhecimento dos territórios e ampliem a capacidade de ação coletiva.
Fonte: MapBiomas, dados referentes a 2023.
Participação, Diversidade e Comunidades: uma cidade precisa ouvir todas as vozes
As cidades são formadas por pessoas com diferentes histórias, identidades, condições de vida e formas de participação.
Para que o desenvolvimento urbano seja inclusivo, essas diferenças precisam ser reconhecidas nos espaços de diálogo e decisão.
Um exemplo está nos dados sobre pessoas com deficiência.
De acordo com o Censo Demográfico 2022, do IBGE, o Brasil tinha aproximadamente 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais de idade.
O indicador ajuda a dimensionar a importância da acessibilidade, da eliminação de barreiras e da garantia de oportunidades de participação.
Mas a diversidade não se limita à deficiência. Ela também envolve questões de gênero, raça, orientação sexual, geração, origem territorial, condições socioeconômicas e experiências comunitárias.
Uma cidade verdadeiramente participativa precisa reconhecer essa pluralidade.
O eixo Participação, Diversidade e Comunidades propõe justamente ampliar o diálogo sobre pertencimento, inclusão e direito à cidade.
A participação social não se resume à presença física em reuniões ou eventos. Ela envolve condições reais para que diferentes pessoas possam se expressar, ser ouvidas e contribuir para decisões que afetam suas vidas.
Quando comunidades e organizações compartilham experiências, ampliam-se as possibilidades de identificar problemas, construir alternativas e fortalecer a vida coletiva.
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 — resultados preliminares da amostra sobre pessoas com deficiência.
Filantropia Comunitária e Fortalecimento Institucional: transformar também exige recursos e conexões
As organizações da sociedade civil desempenham um papel importante na defesa de direitos, na mobilização comunitária e na implementação de iniciativas de interesse público.
Entretanto, manter essas atividades exige condições de sustentabilidade.
A pesquisa TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2022, realizada pelo Cetic.br, identificou que 63% das organizações pesquisadas recebiam doações voluntárias de pessoas físicas.
O resultado demonstra a relevância das contribuições individuais para o funcionamento de organizações sem fins lucrativos no Brasil.
Ao mesmo tempo, reforça a importância de discutir a diversificação de recursos, o fortalecimento da gestão e a construção de relações duradouras com as comunidades.
A filantropia comunitária amplia essa reflexão ao reconhecer que os territórios possuem diferentes tipos de recursos.
Além das contribuições financeiras, conhecimentos, redes de solidariedade, trabalho voluntário, espaços comunitários e experiências locais também podem contribuir para a transformação social.
Nesse contexto, o fortalecimento institucional é fundamental para que organizações desenvolvam capacidades de planejamento, comunicação, mobilização, gestão e articulação.
O eixo Filantropia Comunitária e Fortalecimento Institucional propõe aproximar essas discussões e valorizar estratégias que fortaleçam tanto as organizações quanto os territórios onde atuam.
Afinal, apoiar uma iniciativa comunitária também significa investir na capacidade coletiva de produzir mudanças.
Fonte: Cetic.br, pesquisa TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2022.
Infâncias e Futuros: construir cidades melhores começa por reconhecer as crianças
As crianças não são apenas o futuro das cidades. Elas fazem parte do presente e vivenciam diariamente as consequências das decisões sobre mobilidade, moradia, educação, segurança e espaços públicos.
No entanto, milhões de crianças e adolescentes brasileiros ainda enfrentam privações que comprometem suas oportunidades de desenvolvimento.
Segundo estudo do UNICEF, publicado em janeiro de 2025, 55,9% das crianças e adolescentes brasileiros de até 17 anos viviam em situação de pobreza multidimensional em 2023.
Isso correspondia a aproximadamente 28,8 milhões de meninas e meninos.
O conceito de pobreza multidimensional considera diferentes privações, incluindo renda, educação, acesso à informação, água, saneamento, moradia e proteção contra o trabalho infantil.
Embora o estudo tenha identificado uma redução da pobreza multidimensional em comparação com 2017, os números mostram a dimensão dos desafios ainda existentes.
Essas condições também influenciam a maneira como crianças e adolescentes vivenciam suas cidades.
A ausência de espaços seguros para brincar, as dificuldades de deslocamento e a falta de oportunidades de participação são questões que precisam integrar as discussões sobre desenvolvimento territorial.
O eixo Infâncias e Futuros propõe valorizar as perspectivas das crianças e reconhecer sua importância na construção de cidades mais acolhedoras, inclusivas e sustentáveis.
Escutar as infâncias é reconhecer que suas experiências podem contribuir para transformar o presente.
Fonte: UNICEF Brasil, estudo “Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil — 2017 a 2023”, publicado em 2025.
A realidade da Grande BH conecta esses desafios
Os quatro eixos também encontram pontos de convergência nas desigualdades presentes na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Dados do Censo 2022 mostram que centenas de milhares de pessoas vivem em favelas e comunidades urbanas na concentração urbana de Belo Horizonte, uma delimitação estatística do IBGE que não corresponde exatamente aos limites administrativos da região metropolitana.
Essa realidade evidencia a importância de discutir, de maneira integrada, as condições de moradia, o acesso a serviços públicos, os riscos ambientais e as oportunidades de participação social.
Uma comunidade que enfrenta problemas de infraestrutura pode também conviver com riscos climáticos. Famílias com crianças podem enfrentar dificuldades relacionadas à mobilidade, à segurança e ao acesso a equipamentos públicos. Organizações comunitárias podem desenvolver respostas importantes, mas necessitar de apoio para ampliar sua atuação.
Esses desafios não surgem isoladamente.
Da mesma forma, suas soluções precisam considerar a articulação entre diferentes áreas, conhecimentos e experiências.
É nessa perspectiva que o Conecta 2026 propõe aproximar agendas e fortalecer relações entre pessoas e iniciativas comprometidas com o futuro da Grande BH.
Quatro eixos, um futuro compartilhado
Os dados apresentados ao longo deste artigo não representam resultados do Conecta 2026. Eles ajudam a compreender a relevância dos temas que serão discutidos no encontro.
A exposição aos riscos climáticos, as barreiras à participação, a necessidade de sustentabilidade das organizações e as privações enfrentadas pelas infâncias são desafios que exigem políticas públicas, mobilização social e cooperação.
Nenhuma organização, instituição ou comunidade consegue enfrentar sozinha todas essas questões.
Por isso, conectar diferentes iniciativas é mais do que promover encontros: é ampliar oportunidades de diálogo, aprendizado e construção coletiva.
O Nossa Cidade Conecta 2026 parte dessa compreensão para reunir experiências e estimular novas possibilidades de colaboração.
Com quatro eixos que se complementam, o evento convida a Grande BH a refletir sobre seus desafios e reconhecer a força das pessoas que atuam diariamente para transformar seus territórios.
Porque mover futuros exige mais do que imaginar mudanças. Exige participação, compromisso e conexões capazes de transformar ideias em ações.
Participe do Nossa Cidade Conecta 2026
📅 13 e 14 de novembro de 2026
📍 PUC Minas — Praça da Liberdade, Belo Horizonte/MG
🎟️ Evento gratuito, com inscrições pelo Sympla.
Garanta sua inscrição:
https://www.sympla.com.br/evento/nossa-cidade-conecta-2026-unidos-para-mover-futuros/3605463
Unidos para mover futuros. Vem conectar com a gente!
Fontes e referências
MapBiomas. Dados sobre áreas urbanizadas, favelas e áreas de risco no Brasil.
https://brasil.mapbiomas.org/
IBGE. Censo Demográfico 2022 — Pessoas com deficiência.
https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/22695-censo-2022-7-3-da-populacao-com-2-anos-ou-mais-tinha-alguma-deficiencia.html
Cetic.br. Pesquisa TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2022.
https://www.cetic.br/pt/noticia/cresce-uso-de-internet-no-terceiro-setor-mas-a-falta-de-acesso-ainda-atinge-18-das-organizacoes-sem-fins-lucrativos-no-brasil-revela-pesquisa-do-cetic-br/
UNICEF Brasil. Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil — 2017 a 2023.
https://www.unicef.org/brazil/innocenti/relatorios/pobreza-multidimensional-na-infancia-e-adolescencia-no-brasil-2017-2023
IBGE. Censo Demográfico 2022 — Favelas e Comunidades Urbanas.
https://www.ibge.gov.br/geociencias/todos-os-produtos-geociencias/15788-favelas-e-comunidades-urbanas.html