Dragon Dreaming, Organizações de Centro Vazio e a Nossa Cidade

Dragon Dreaming, Organizações de Centro Vazio e a Nossa Cidade
Uma das inspirações para a forma que nos organizamos na Nossa Cidade é o Dragon Dreaming e as Organizações de Centro Vazio (OCV).

Em 2016 escrevemos esse artigo explicando como funcionava na Nossa Cidade e de lá para cá tivemos muita evolução!

Agora em 2026 foi publicado o livro Dragon Dreaming - Um Método de criação colaborativa de projetos e um dos capítulos é sobre a jornada da Nossa Cidade implementando esse sistema.

Para adquirir o seu exemplar, clique aqui!


Abaixo um resumo sobre o capítulo que fala sobre a Nossa Cidade. O artigo em pdf pode ser baixado aqui.

Utilização Continuada do Dragon Dreaming em uma Associação - O Caso Nossa Cidade


O artigo apresenta a evolução da Associação Nossa Cidade como um experimento vivo na aplicação do Dragon Dreaming e do conceito de Organização de Centro Vazio (OCV) para o impacto social orientado pela comunidade.

Com seu início remontando a 2012, a Nossa Cidade começou como uma iniciativa para melhorar indicadores sociais em cidades pequenas, mas passou por múltiplas transformações ao longo de uma década e meia. Evoluiu de uma "distribuidora de tecnologias sociais" para uma fundação comunitária focada na mobilização de recursos e no financiamento de iniciativas de base voltadas à regeneração na região metropolitana de Belo Horizonte.

Um tema central do artigo é a transição de uma liderança hierárquica para uma estrutura descentralizada, orientada por propósito. Em uma OCV, a autoridade não está concentrada em indivíduos, mas ancorada em um propósito compartilhado, com círculos e projetos autônomos se auto-organizando ao seu redor. Essa transição, no entanto, não foi simples nem linear, envolvendo ciclos sucessivos de experimentação, fracasso e adaptação.

O Dragon Dreaming desempenhou um papel fundamental tanto como metodologia quanto como filosofia, moldando a forma como a Nossa Cidade abordou as etapas de sonhar, planejar, realizar e celebrar. A prática incentivou a construção coletiva das ideias, o aprendizado contínuo e o alinhamento com valores como desenvolvimento pessoal, fortalecimento comunitário e serviço ao planeta.

O capítulo também explora o conceito de “dragões”, que na linguagem do Dragon Dreaming são gatilhos emocionais como medo, controle e insegurança, que emergem no trabalho colaborativo e podem descarrilar projetos se não forem tratados. Aprender a “dançar com esses dragões” tornou-se parte essencial do amadurecimento da organização.

Outro referencial importante é o conceito de “Fonte”, de Tom Nixon, que se refere ao iniciador original de um projeto. O texto reflete sobre a tensão entre manter a energia da visão fundadora e, ao mesmo tempo, promover a descentralização. Apesar dos esforços e do aparecimento de múltiplas e potentes novas lideranças, a descentralização ainda é um processo em curso.

Ao longo de sua trajetória, a Nossa Cidade experimentou diferentes modelos de governança, incorporando aos poucos elementos das Organizações Orgânicas (O2), desenvolvendo gradualmente um sistema próprio de autogestão. Isso incluiu papéis distribuídos, tomada de decisão por consentimento e estruturas flexíveis que se adaptam às necessidades emergentes, em vez de seguir planos rígidos.

As atividades da organização convergiram progressivamente para a gestão de fundos comunitários, especialmente por meio de fundos regenerativos como o de Brumadinho, que apoiou projetos liderados localmente após o desastre de 2019. Esses fundos operam como “sistemas vivos”, com ênfase na participação, transparência e valorização da comunidade e dos saberes locais.

O artigo também reflete sobre falhas e tensões, como sobrecarga organizacional, falta de planejamento em iniciativas de grande escala e conflitos nos processos colaborativos. Eventos como a conferência Nossa Cidade Conecta evidenciaram tanto o potencial quanto a fragilidade de sistemas autogeridos, reforçando a importância de estrutura, coordenação e cuidado emocional.

No campo do aprendizado e da reflexão, a Nossa Cidade valoriza práticas como documentação, narrativa e construção coletiva de sentido, essenciais para sustentar memória e evolução em uma rede fluida baseada em voluntariado.

Por fim, o artigo identifica características-chave para o sucesso de uma OCV:

  • Entusiasmo como motor de engajamento
  • Interdependência como realidade estrutural
  • Redundância como fator de resiliência
  • Compaixão para lidar com limitações humanas
  • na ordem emergente em meio à incerteza

Em síntese, a experiência da Nossa Cidade sugere que construir organizações descentralizadas e regenerativas é um processo contínuo e imperfeito. Exige equilibrar estrutura e emergência, iniciativa individual e inteligência coletiva, adaptando-se constantemente ao que emerge.


Quer fazer parte da Nossa Cidade? Assine nosso manifesto regenerativo e torne-se colaborador