Reafirmação de nossos valores, visão e forma de agir.
A Associação Nossa Cidade é uma organização da sociedade civil que atua na Grande Belo Horizonte como uma fundação comunitária — o que no jargão do terceiro setor se chama de FIC (Fundação ou Instituto Comunitário): uma organização que fomenta e financia o desenvolvimento local a partir das prioridades definidas pela própria comunidade. Somos mais de duzentas pessoas, unidas pelo compromisso com comunidades locais mais fortes, conectadas, resilientes e regenerativas.
Além disso, atuamos em um território de 5,1 milhões de pessoas, cada um com seu posicionamento político e preferências na hora de depositar o seu voto na urna. Dessa forma, somos, por princípio institucional, uma associação apartidária. Não temos partido, não apoiamos candidaturas e não cabem em nossas ações nada que tenha caráter eleitoral.
Esse apartidarismo, contudo, não deve ser confundido com ausência de convicções. Nosso propósito coletivo é muito claro:
SEMEAMOS JUNTOS O DIA EM QUE TODOS VIVERÃO BEM, EM COMUNIDADES ABUNDANTES, DE UM PLANETA SAUDÁVEL.Dentro dessa frase existe muito do que queremos para o futuro: o associativismo (o fazer "juntos") que semeia um futuro melhor; a escolha de não deixar ninguém para trás (o "viver bem para todos"), especialmente as minorias e aqueles que historicamente tem vivido nas margens; o fortalecimento da comunidade e foco em soluções coletivas ao invés do individualismo; o cuidado com o planeta e o meio ambiente.
Esse propósito se traduz também em nossas finalidades estatutárias, explícitas e públicas: a defesa de direitos e a construção de novos direitos (art. 4º, XXI); a promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos e da democracia (art. 4º, XXII); e a defesa, preservação e conservação do meio ambiente (art. 4º, XXV). Não defendemos essas causas como ornamento retórico, elas orientam a curadoria de nossos fundos, as parcerias que firmamos e a ação nos territórios em que investimos.
O que aprendemos em 2018 e 2022
O apartidarismo da Nossa Cidade não nasceu de um manual de gestão de reputação. Nasceu de uma experiência dolorosa.
Nas eleições majoritárias passadas, como associação de membros, vivemos internamente a divisão que atravessou o país. Houve animosidade em nossos grupos de whatsapp e um clima em que parecia impossível conviver com quem votava diferente. Naquele momento, tomamos uma decisão deliberada: iríamos pelo caminho do respeito e do acolhimento às escolhas individuais de cada membro, tentando destacar o que temos em comum, e não o que nos separa. Foi a escolha certa, mas teve custo. Várias pessoas queridas se afastaram da Nossa Cidade, vindas dos dois polos que disputavam aquela eleição. Infelizmente, a polarização da sociedade trouxe desunião também entre nós.
Guardamos dessa experiência uma convicção dupla. Primeiro: não vamos transformar nossa associação em um comitê, nem tratar quem pensa diferente como inimigo. Segundo: o silêncio absoluto também não nos protege — e pode custar ainda mais caro, porque apatia também é uma forma de abandono das causas que nos unem.
O que dizemos em 2026
Estamos vivendo um momento decisivo da vida nacional. Esta não é uma eleição qualquer. Está em jogo o tipo de sociedade que teremos nas próximas décadas e, com ele, as condições concretas de existência do espaço cívico, das organizações da sociedade civil e dos movimentos que atuam nas periferias e na defesa de direitos.
Por isso, sem apoiar ou atacar qualquer candidatura, afirmamos com clareza o que somos e por quais causas continuaremos a defender e atuar, agora e após o dia das eleições:
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Democracia e Estado de Direito são condição de possibilidade de tudo o que fazemos. Sem liberdade de associação, de expressão não existe o agir junto e nem a filantropia comunitária.
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Direitos humanos e defesa de direitos com foco nas minorias e comunidades historicamente marginalizadas.
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Meio ambiente e desenvolvimento sustentável estarão no centro de nossa atuação, inclusive por meio de nosso fundo climático, quaisquer que sejam as prioridades do governo que vier.
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O espaço cívico precisa ser defendido publicamente. Vamos nos opor, com as ferramentas institucionais ao nosso alcance, a iniciativas que restrinjam a atuação legítima de organizações da sociedade civil.
- Nossa casa continua sendo de todas as pessoas. Continuaremos acolhendo as escolhas individuais de nossos membros, exigindo em troca o respeito mútuo e o compromisso com a construção de uma sociedade livre, que funcione para todos e para o meio ambiente.
No dia das eleições, a Associação Nossa Cidade não tem direito a voto. Pedimos a toda nossa comunidade que vote com CONSCIÊNCIA, levando em conta os efeitos de sua escolha para a democracia, direitos humanos, proteção às minorias e meio ambiente.
Para os 4 anos depois da eleição, o convite é para ir além! Que a gente re-aprenda também a viver coletivamente, com solidariedade.
Precisamos re-aprender a viver em comunidade, comer juntos, cuidar dos filhos uns dos outros, escutar, construir pontes, organizar.
Precisamos superar esse lugar de nós contra eles para trazer uma nova prática cotidiana, entre nós e para os outros, sobretudo para quem pensa diferente da gente.
Precisamos falar de política em nosso cotidiano: qual o futuro que queremos? quais são nossos sonhos para a cidade? como diminuir as desigualdades?
Precisamos comunicar e praticar a não violência, ao mesmo tempo que nos tornamos firmes na defesa contra toda ameaça ao que temos de mais valioso: a vida e a liberdade!
Se nos reconectarmos entre a gente para além das eleições, celebrando nossas pluralidades, praticando solidariedade com quem está em situação mais vulnerável, cuidando do meio ambiente, discutindo política desde um lugar autêntico de empoderamento comunitário, talvez em 2030 não tenhamos uma sociedade tão dividida e polarizada, que dê margens à posições extremistas e divisionistas.
Caso você se identifique com nosso propósito coletivo, poderá se juntar a nossa comunidade para atuarmos em prol desses temas nos demais dias do ano.
Continuaremos, com a mesma firmeza, do lado da democracia, dos direitos humanos e do meio ambiente.
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Esse artigo faz parte de uma série mensal sobre os valores, missão e forma de atuação da Associação Nossa Cidade, responsabilidade do papel de Guardião do Sonho e da Alma da Nossa Cidade.