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Bem Composto

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Mariana

 

Mais da metade de todo lixo produzido no Brasil é composto por resíduos orgânicos que inclui restos de alimentos como frutas, legumes e folhagens que consumimos diariamente. Essas sobras que, muitas vezes, vão para aterros sanitários e lixões, podem ser transformadas em adubo orgânico para serem utilizados em hortas, parques, praças e jardins.

Cidade: Esmeraldas

Estado: Minas Gerais

O projeto BEM COMPOSTO se insere na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A RMBH é composta por 34 municípios, com população de 5 milhões de habitantes, sendo a 3ª maior Região Metropolitana do Brasil e a 7ª maior Região Metropolitana da América Latina.

A gestão dos resíduos sólidos urbanos configura-se como um dos grandes problemas no âmbito da RMBH, onde a maior parte dos municípios apresenta sistemas de limpeza urbana muito deficientes. A maioria dispõe os resíduos em lixões a céu aberto, com impactos ambientais e sociais muito negativos para as comunidades, refletindo negativamente também sobre a saúde pública da população, com o aumento da incidência de doenças como dengue, leptospirose, leishmaniose, etc.

Nesse contexto, torna-se necessário não somente atuar sobre a disposição final dos resíduos, como também incentivar a reflexão acerca dos hábitos de consumo e descarte da população. A mudança climática também se vincula às relações entre sociedade e natureza, seja pela forma de ocupação do território como pelo uso de recursos naturais, pela produção e pelo consumo de bens e serviços. Nesse contexto diversos fenômenos naturais passam a representar riscos ambientais, como as catástrofes naturais, o aumento da frequência e magnitude das catástrofes meteorológicas, a ocupação e uso do solo indevidos, a poluição e a contaminação da água e do solo. Diretamente vinculado a este último aspecto — contaminação da água e do solo — está o uso de agrotóxicos nas atividades agrícolas desenvolvidas na RMBH.

OBJETIVOS

4. Objetivo geral: Promover soluções conscientes para o resíduo orgânico por meio do envolvimento de parceiros locais na separação do resíduo e sua compostagem com incentivo ao consumo sustentável e fortalecimento de produtores regionais.

5. Objetivos Específicos:

· Aprimorar a infraestrutura necessária ao desenvolvimento das ações de logística reversa dos resíduos orgânicos e sua compostagem;

· Consolidar parcerias já fechadas com produtores e pontos de coleta definindo as condições específicas de desenvolvimento das ações de cada ator envolvido;

· Lançar o projeto visando adesão dos consumidores;

· Realizar coleta dos resíduos orgânicos;

· Realizar a compostagem dos resíduos orgânicos;

· Divulgar o Projeto para aumento da adesão de consumidores que irão ter seus resíduos orgânicos coletados, promovendo a sustentabilidade financeira do mesmo;

· Sensibilizar a população acerca do consumo sustentável;

· Realizar comunicação e capacitação eficientes para envolvimento contínuo e aprimoramento das ações de todos os parceiros do sistema;

· Fomentar a economia local e os pequenos produtores rurais por meio do uso da moeda social Massalas;

· Monitorar, avaliar e divulgar os resultados o sistema por meio do desenvolvimento de relatórios de atividades com métricas de análise.

6. Hipóteses e Justificativa:

1) Por que realizar o projeto?

Os resíduos orgânicos compõem maior parte dos resíduos destinados aos aterros sanitários provindos das residências, o que gera grande impacto nos orçamentos públicos de logística de recolhimento e disposição final de maneira ambientalmente responsável. O setor público não tem se mostrado preparado para promover e reaproveitamento, como evidenciam os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades: em Belo Horizonte, no ano de 2016, somente 4,1% dos resíduos urbanos coletados passaram por unidades de triagem e/ou áreas de reciclagem (para entulho) e apenas 0,3% foi destinado a unidade de compostagem (embora os resíduos orgânicos componham cerca de 70% do total de resíduos sólidos urbanos).

A comunidade passa ter uma alternativa possível para destinar de maneira voluntária e consciente, o resíduo molhado. A adesão acontece quando uma pessoa concorda em pagar uma mensalidade para que seu lixo seja compostado. A cada mês, esta pessoa vai ganhando créditos em uma moeda virtual, que pode ser trocada por produtos e serviços de parceiros ligados à sustentabilidade na região.

O BEM COMPOSTO propõe uma forma de viabilizar a compostagem, de maneira economicamente sustentável e independente de recursos públicos, que poderá ser reproduzida em outros contextos, servindo de inspiração e modelo para outras cidades da região).

Todo o sistema está em conformidade com a Lei Nacional de Resíduos Sólidos e com as diretrizes de programas nacionais e regionais de incentivo à agricultura urbana, familiar, orgânica e de economia solidária.

É também uma prática que beneficia a fertilidade natural e cíclica do solo, a redução do uso de adubos e fertilizantes químicos que podem contaminar o solo e os aquíferos do subsolo.

A geração de um produto, provindo de resíduos que seriam descartados traz o duplo benefício: ao ambiente natural, que é poupado da poluição e saturação dos aterros sanitários, e a possibilidade de comercialização e auto geração de renda para o sistema de compostagem.

Estamos vivenciando um momento favorável a iniciativas que envolvam a mobilização social, considerando que uma parcela significativa da população está despertando para a importância da redução e melhor aproveitamento de resíduos e estão dispostas a investir na redução da sua pegada ecológica. Nesse contexto, o BEM COMPOSTO, juntamente com a rede de parceiros, se mostra como uma forma com grande potencial para sensibilizar ainda mais pessoas para esse objetivo comum a partir não somente de suas estratégias de comunicação como também a partir da iniciativa espontânea/informal dos envolvidos no projeto.

2) Quais problemas pretendem enfrentar?

A difusão de possibilidades alternativas de gestão de resíduos e manejo do solo pode transformar a realidade. Nesse contexto, os problemas que pretendemos enfrentar se dividem em quatro aspectos, inter-relacionados entre si.

O primeiro está relacionado à dimensão do consumo sustentável. Buscamos sensibilizar consumidores para a reflexão crítica acerca de seus hábitos, tanto em relação às suas práticas de aquisição de alimentos (de quem estou comprando? As escolhas que faço são saudáveis?) quanto em relação à produção e descarte de resíduos orgânicos. Acreditamos que o projeto contribui para a ressignificação da relação com o lixo produzido diariamente e para o incentivo à agricultura familiar e o consumo de alimentos sem agrotóxicos, por meio de uma atitude política, educativa e transformadora.

Os consumidores que aderirem ao projeto terão acesso à moeda Massalas que poderá ser utilizada para obter descontos na compra de alimentos dos parceiros do projeto. Esses parceiros são produtores familiares, organizados em instituições comunitárias orientadas à comercialização dos produtos (como feiras). A parceria entre essas redes e o projeto BEM COMPOSTO visa o fortalecimento das mesmas e irá promover sua maior visibilidade, por meio das estratégias de comunicação. Com isso, espera-se ainda a dinamização desses pontos comerciais.

Atualmente é crescente o número de estudos que estão relacionando o uso de agrotóxicos às mudanças climáticas, em função de seus impactos ao meio ambiente físico (solos e recursos hídricos) e biótico (fauna e flora). O projeto irá atuar nas duas pontas da produção agrícola: produtores e consumidores de forma a incentivar o não-uso de agrotóxicos, fortalecendo a circularidade da nossa cadeia de consumo local e fazendo brotar uma cultura do encontro na qual todos ganham.

Por fim, o projeto atua na dimensão do saneamento. Os resíduos orgânicos (úmido) compõem uma grande parte da produção de lixo doméstica. Na nossa região, temos a presença de catadores de recicláveis e de pontos de triagem, entretanto, o resíduo orgânico permanece sendo destinado aos aterros sanitários. O projeto oferece uma alternativa a essa situação, retornando este material para a cadeia de produção de alimentos por meio do adubo resultante do processo de compostagem.

3) Qual a sua relevância local, regional ou nacional de sua proposta?

O projeto de reciclagem de resíduo orgânico, pretende transformar o lixo que produzimos diariamente em adubo orgânico e rico em nutrientes, que retornará à terra no cultivo de alimentos saudáveis, sem o uso de agrotóxicos. É a manutenção do ciclo da alimentação, respeitando a natureza e reduzindo o volume de aterros e lixões. BEM COMPOSTO é cuidar do meio ambiente, colocando cada um de nós em seu lugar de agente transformador, assumindo e sendo a mudança que gostaríamos de ver acontecer.

Neste momento, o foco do edital é a Região Metropolitana de Belo Horizonte, com enfoque na região Centro-Sul da Capital e municípios como Esmeraldas (onde se encontra a sede do projeto) e os municípios onde se localizam os parceiros. Entretanto, diante da estratégia de transparência adotada pelo projeto, o modelo poderá ser replicado em outras localidades de Minas Gerais ou Brasil, mediante adaptações às especificidades locais, de acordo com interesse de agentes locais. Tal possibilidade amplia fortemente a abrangência espacial dos impactos do projeto.

4) Que impactos se quer alcançar? Qual a visão da cidade/comunidade transformada a partir da intervenção?

Pretendemos ter uma usina de compostagem em pleno funcionamento, com sustentabilidade financeira e com uma rede fortalecida de consumidores, pontos de coleta, produtores locais / regionais.

Estamos desenvolvendo estratégias de comunicação e ações orientada à sensibilização dos envolvidos no projeto acerca de temas como consumo sustentável, alimentação, agricultura familiar, meio ambiente, compostagem e destinação de resíduos. Com isso, esperamos incentivar a produção de agricultores familiares, a produção/consumo de alimentos sem agrotóxicos, a reflexão crítica acerca dos hábitos alimentares e de consumo da população atingida pelo processo, de forma que esta se torne uma multiplicadora de ações positivas visando construção de uma sociedade mais harmônica e engajada.

Esperamos compartilhar de uma visão de mundo mais justa e acolhedora rumo ao regenerativo, ao sustentável e ao circular. Acreditamos que cooperação e responsabilidade são nutrientes-chave para criarmos um ciclo abundante de saúde, educação e cuidado integral. Nesse espírito, o apoio de todos os envolvidos também incentiva e auxilia a agricultura familiar através do cultivo e manejo de sistemas agroflorestais que estão próximos da gente.

O alcance do projeto será proporcional à adesão da comunidade, estando o projeto aberto à toda a população que queira aderir, separando, doando e destinando seus resíduos

6.1.Quais dificuldades a organização ou a comunidade poderá enfrentar na realização de suas atividades? Que medidas irão tomar para que tais dificuldades não prejudiquem o presente projeto?

O projeto já se encontra em fase avançada em relação à sua concepção, análise de viabilidade e preparação para execução. Neste ponto, o principal desafio é com relação à adesão dos consumidores que irão destinar seus resíduos orgânicos nos pontos de coleta e receber a moeda Massalas para obter descontos em compras realizadas com os parceiros do projeto. Sabemos que as queridas técnicas de compostagem doméstica já são conhecidas por muitos, mas sabemos também que nem sempre elas são uma opção viável, seja por falta de espaço, de tempo ou por dificuldade em obter matéria orgânica seca.

Para tanto, nossa equipe está investindo no desenvolvimento de uma sólida estratégia de comunicação orientada ao público potencial, integrada por ações online e presenciais.

O que vai acontecer agora:

Compra dos equipamentos

Mutirão com a equipe Nossa Cidade e Massalas para construir as baias de compostagem

1. — O projeto tem previsto ações de articulação com políticas públicas (em nível municipal, regional, nacional) e/ou órgãos de governo? Como quais? Especifique as ações que serão desenvolvidas

O projeto se articula com o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte (PDDI-RMBH), que prevê o desenvolvimento de progama vistando a gestão adequada de resíduos orgânicos e prevê o incentivo à ampliação da participação da sociedade civil na discussão e implementação de ações. Nessa perspectiva, não somente o escopo central do projeto (compostagem) como também as ações de comunicação a serem desenvolvidas com o público externo estão em consonância com a política supracidata para a região na qual o projeto se insere. Destaque é dado à perspectiva de realização de oficinas em parceria com instituições de ensino público nos níveis municipais e estadual.

Em relação articulação com órgãoes do governo, foi acertada parceria entre o projeto, a Secretaria do Meio Ambiente de Esmeraldas e a Emater-MG, que é um dos principais instrumentos do Governo de Minas Gerais para a ação operacional e de planejamento no setor agrícola do Estado, especialmente para desenvolver ações de extensão rural junto aos produtores de agricultura familiar duas atividades. Serão realizadas duas atividades. Uma será uma oficina aberta a produtores rurais e einteressados. Essa atividade será realizada no município de Esmeraldas em data ainda a ser definida. A segunda atividade é um apoio técnico para o desenolvimento do centro de recebimento e manejo dos resíduos orgânicos de Esmeraldas, visando elaborar estratégias conjuntas para triagem e recebimento material para compostagem e otimização do viveiro já existente no local.